Passei a vida inteira buscando sobre coisa que só podem ser úteis a mim. Descubro que o que sou faz bem a você. Agora acabo de 'acordar',quando a gente descobre a gente acorda, acho que acordei para a descoberta. Isso me faz mal, me fará mal enquando a descoberta for uma verdade, minha felicidade então até é acreditar que Este é o único a quem faço bem? Melancólica descoberta. Introspetiva.Viver pra que? Se apenas vivo para mim. Seria você o sentido mais concreto da minha continuação vital? Eu creio que isso é o que me faz continuar..nessa sina... um tanto egoísta, vivo no meu mundo.Introspectiva. Pra não esvaecer-me É pra vocÊ que vivo. Ó! Meu Eu não pode saber disso, o que será de mim quando partires? Tenho que ser forte e viver pra mim? Tenho que ser forte e viver pra mim também. Disse quando partires, mas não te tenhos formas, não sei como és, és imaginário, porém, sei que existe nalgum lugar do mundo. Quando me sinto bem é quando sei que estás por perto. Quando me sinto bem é quando estou chegando perto, perto de mim, tão perto de ti.
Livro: A paixão segundo G.H - Clarice Lispector.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
Alguns livros para mim são de grande importância, assim como músicas... Não vou falar muito, só quero deixar aqui um poema do Manoel de Barros, retirado de um livro que sempre me fascina a cada releitura que é o Memórias Inventadas, As infâncias de Manoel de Barros. Porque as infâncias? " O poeta Manuel de Barros um dia pensou em publicar três livros. Um que tratasse da infância, outro da mocidade e mais um sobre a velhice. Depois que escreveu os primeiros poemas e os publicou, no entanto, percebeu que não seria capaz de tratar dos outros dois assuntos. E ele explicou a razão com palavras muito simples e poéticas, como é seu costume. Disse: " Eu só tive infância". Memórias Inventadas - As infâncias de Manoel de Barros reúne os versos das três infâncias do autor..."
Aqui vai o poema: Sobre importâncias
Um fotógrafo-artista me disse outra vez: Veja
que pingo de sol no couro de um lagarto é
para nós mais importante do que o sol inteiro
no corpo do mar. Falou mais: que a importância
de uma coisa não se mede com a fita métrica nem
com balanças nem com barômetros etc. Que a
importância de uma coisa há que ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós.
Assim um passarinho nas mãos de uma criança
é mais importante para ela do que a Cordilheira
dos Andes. Que um osso é mais importante para
o cachorro do que uma pedra de diamante. E
um dente de macaco da era terciária é mais
importante para os arqueólogos do que a
Torre Eifel. ( Veja que só um dente de macaco!)
Que uma boneca de trapos que abre e fecha os
olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais
importante para ela do que o Empire State
Building. Que o cú de uma formiga é mais
importante para o poeta do que uma Usina Nuclear.
Sem precisar medir o ânus da formiga. Que o
canto das águas e das rãs nas pedras é mais
importante para os músicos do que os ruídos
dos motores da Fórmula 1. Há um desagero em mim
de aceitar essas medidas. Porém não sei se isso é um defeito
do olho ou da razão. Se é defeito da alma ou do
corpo. Se fizerem algum exame mental em mim por
tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto
mais de conversar sobre restos de comida com
as moscas do que com homens doutos.
Música: É o que me interessa - Lenine
Livro: O triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto.
Aqui vai o poema: Sobre importâncias
Um fotógrafo-artista me disse outra vez: Veja
que pingo de sol no couro de um lagarto é
para nós mais importante do que o sol inteiro
no corpo do mar. Falou mais: que a importância
de uma coisa não se mede com a fita métrica nem
com balanças nem com barômetros etc. Que a
importância de uma coisa há que ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós.
Assim um passarinho nas mãos de uma criança
é mais importante para ela do que a Cordilheira
dos Andes. Que um osso é mais importante para
o cachorro do que uma pedra de diamante. E
um dente de macaco da era terciária é mais
importante para os arqueólogos do que a
Torre Eifel. ( Veja que só um dente de macaco!)
Que uma boneca de trapos que abre e fecha os
olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais
importante para ela do que o Empire State
Building. Que o cú de uma formiga é mais
importante para o poeta do que uma Usina Nuclear.
Sem precisar medir o ânus da formiga. Que o
canto das águas e das rãs nas pedras é mais
importante para os músicos do que os ruídos
dos motores da Fórmula 1. Há um desagero em mim
de aceitar essas medidas. Porém não sei se isso é um defeito
do olho ou da razão. Se é defeito da alma ou do
corpo. Se fizerem algum exame mental em mim por
tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto
mais de conversar sobre restos de comida com
as moscas do que com homens doutos.
Música: É o que me interessa - Lenine
Livro: O triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto.
Leitor-fantasma
Achamos que mantemos isso em vão, reclamamos, uma vontade de jogar tudo isso no lixo. Ah... Existe os espiões, eu devo acreditar, os leitores, eles que no tédio da noite, em horas vagas do dia, quando dá vontade ou quando estão passando por perto se dizem ' não vou perder nada dando uma olhadinha'. Olham nossas almas em seus momentos desenrolados.Olham nossas palavras, nossos erros, desejos, saberes, sem que tudo isso seja nossa pretensão, percebem o que não pensamos em mostrar.
Já não quero me desfazer de tudo isso, eu acredito nesses fantasmas, eles existem, eles lêem só não deixam sinais de que passaram por ali e que existem. Sou uma fantasma, um leitor-fantasma, um leitor. Sei de vocês só o tanto que vocês mostram, sei que também sou vigiada por aqui, me consolo, pobre...
Já não quero me desfazer de tudo isso, eu acredito nesses fantasmas, eles existem, eles lêem só não deixam sinais de que passaram por ali e que existem. Sou uma fantasma, um leitor-fantasma, um leitor. Sei de vocês só o tanto que vocês mostram, sei que também sou vigiada por aqui, me consolo, pobre...
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Certa cronologia.
- Filha aonde você vai?
+ Vou brincar.
- Olhe, você deixou cair a chupeta da boneca.
- Não demore lá fora.
- Filha aonde você vai?
+ Vou brincar.
- Com esses livros nas mãos?
+ É, brinco com palavras, gosto dos seus significados e de ver o efeito que elas tem quando se misturam com outras de significado maior.
- Passei o dia fora, fica aqui comigo, vamos assistir TV.
(Ela já tinha lido o bastante pra não gostar de TV, também se tornou sensível o bastante pra não desapontar a mãe.)
+ Vou brincar.
- Olhe, você deixou cair a chupeta da boneca.
- Não demore lá fora.
- Filha aonde você vai?
+ Vou brincar.
- Com esses livros nas mãos?
+ É, brinco com palavras, gosto dos seus significados e de ver o efeito que elas tem quando se misturam com outras de significado maior.
- Passei o dia fora, fica aqui comigo, vamos assistir TV.
(Ela já tinha lido o bastante pra não gostar de TV, também se tornou sensível o bastante pra não desapontar a mãe.)
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Quando os pensamentos acordaram o corpo
O dia acordou e eu não.
Permaneço imóvel, o corpo não tem forças para reagir as correntezas do pensamento.Os pensamentos vão e vem, palavras, frases, poemas que estão guardadas há muito tempo em meu corpo. Presos, indefesos que não acho como os libertar simplesmente por falta de coragem ou motivação. Estou em tal ponto que são eles que me acordam, são eles, os pensamentos, percorrem meu corpo inteiro fazendo arruaças, como um turbilhão, vem fortes, vem calmos, vem autoritários, implorando por liberdade de minha parte e Ação. Acordo então, com um pulo, a vista escurece, o coração bate forte, desesperada corro em busca de uma caneta e meu caderninho e começo a escrever isso que vos acaba de ler. Momento tão corrido e desesperado, mas aí me dou por necessidade de saber das horas. Que horas são? São apenas 6:00 horas! Fui acordada pelos pensamentos, eles querem sair, se materializar para serem vistos e o Meio sou eu. Óh céus... quero fugir disso, as vezes quero abraçá-lo com todos os centímetros do meu cérebro, com o corpo e alma.
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